O que é educação financeira para crianças? Se
você perguntar isso a dez especialistas, terá dez respostas diferentes. Porém,
todas elas com uma essência muito parecida: é ensinar a se relacionar com o
dinheiro de maneira saudável, responsável e inteligente. Mas o que isso
significa? Para Cássia D´Aquino, educadora com especialização em crianças e
coordenadora do Programa de Educação Financeira em inúmeros países, é aprender
a ganhar dinheiro, gastar, poupar e doar (não só grana, mas também tempo,
talento, sabedoria, etc) de forma equilibrada e que resulte, futuramente, na
conquista da autonomia e da estabilidade financeira. Não seria ótimo garantir
isso aos filhos? Sem dúvida. Mas é importante frisar que concretizar esse
objetivo leva tempo e exige empenho. Não é algo que se ensine em um cursinho
intensivo qualquer. É uma lição para a vida toda que os pais vão passar para os
filhos ao longo da infância e da adolescência, aproveitando as situações do dia
a dia para exemplificar as condutas mais interessantes.
Como ensinar se eu não sei Um desafio e tanto, especialmente para os pais que cresceram
nas últimas décadas - quando a política econômica era instável demais para ser
entendida pelas crianças da sociedade. Como explicar, por exemplo, por que uma
moeda valia X numa semana e –X na outra? “Só após a estabilização da economia
brasileira foi possível se planejar e ensinar na infância conceitos sobre
dinheiro”, pondera Cássia D´Aquino. Ou seja, a geração que hoje quer educar
financeiramente os filhos provavelmente não recebeu essa “lição” quando
pequenos. “É mais fácil se você lembra como foi que a sua mãe falou com você
sobre o assunto. Eu sempre recorro a isso ao conversar com o Lucas e com a
Sofia. Como não tive uma educação financeira quando criança, confesso que me
sinto meio perdida quando eles me perguntam sobre dinheiro”, conta Adriana
Couto, 34 anos, mãe de Lucas, 7 e Sofia, 5.
Para não ficar
numa situação pouco confortável, Adriana está decidida a fazer o mesmo que os
especialistas recomendam: se autoeducar, lendo sobre economia e educação
financeira. O segundo passo, de acordo com os especialistas, é entrar num
acordo com o parceiro sobre quais valores o casal acha importante passar para
os filhos. Ter essas respostas alinhadas vale mesmo para pais separados.
“Estabelecer as prioridades e perseguir uma harmonia no que vai se falar é
fundamental para que os filhos entendam e criem uma relação nada conflituosa
com finanças”, reforça Elaine Toledo, consultora financeira.
Por fim, o mais importante (e também mais
difícil) é comportar-se no dia a dia de acordo com os princípios escolhidos.
Quando estiver fazendo compras, indo ao banco, conversando sobre gastos e
ganhos, não tenha dúvida de que você está sendo atentamente observada. É nessas
situações cotidianas que o real aprendizado se dá. Portanto a dica é: as
premissas que selecionou para educar seus filhos têm de ser verdadeiras para
você. Só assim suas atitudes reforçarão as valiosas lições alardeadas em casa.
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