quinta-feira, 22 de março de 2012

Cigarros aromatizados e com sabor estão proibidos no Brasil

Sem disfarces
Depois de mais de três horas de debate, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baniu os cigarros aromatizados e com sabor no país.
Fica proibida a adição de substâncias que dão sabor e aroma aos cigarros e a outros produtos derivados do tabaco, como os mentolados e os de sabor cravo, chocolate e morango.
A medida vale para os produtos nacionais e importados. Estão isentos os destinados à exportação.
Mas os cigarros com sabor vão sair das prateleiras somente daqui um ano e meio.
Adaptação
No caso do açúcar, a Anvisa cedeu aos apelos da indústria do fumo e manteve a adição, porém limitada à reposição do açúcar perdido na secagem da folha de tabaco.
Segundo os fabricantes, o tipo de fumo mais usado no país perde açúcar no processo de produção e, por isso, é necessária a reposição.
A indústria nacional e as importadoras terão um ano para adaptar o processo de fabricação do cigarro e seis meses para retirar de circulação os aromatizados.
Para outros produtos, como charuto e cigarrilha, o prazo foi ampliado. São 18 meses de adequação e seis meses para recolhimento do mercado.
Aprovação prévia
Fica permitido o uso de algumas substâncias nos derivados do tabaco: açúcar, adesivo, aglutinante, agentes de combustão, pigmento ou corante (usado para branquear papel ou na impressão do logotipo da marca), glicerol e propilenoglicol e sorbato de potássio.
A proposta aprovada prevê ainda que novos ingredientes precisam passar pelo aval da agência reguladora para serem usados no futuro.
O relator da proposta, diretor Agenor Álvares, considerou a decisão positiva e disse que ela servirá para tornar o fumo menos atrativo aos adolescentes e crianças. "A nossa ideia é diminuir o número de novos fumantes".
Fonte: Diário da Saúde

quarta-feira, 21 de março de 2012

Sustentabilidade, construção civil e reciclagem podem andar juntas

O desenvolvimento sustentável já foi modismo, mas hoje é uma realidade cada vez mais concreta. A indústria mundial da construção civil já faz da ecologia uma bandeira real. A busca por alternativas procura sempre minimizar os reflexos ao meio ambiente.


Por se tratar de um setor cujo impacto ambiental e a utilização de recursos naturais são altíssimos, a reciclagem dos resíduos gerados é uma tendência para a diminuição de emissão de poluentes e degradações.
Pontos fundamentais não podem deixar de serem levados em consideração: 40 % formação bruta de capital e enorme massa de emprego fazem com que qualquer política abrangente deva, necessariamente, envolver todo o setor. Além disso, é um dos maiores consumidores de matéria-prima, cujo mercado é responsável pelo consumo de entre 20 e 50% do total de recursos naturais consumidos pela sociedade.
Algumas reservas de matérias-primas tem estoques bastante limitados, como as reservas mundiais do cobre, por exemplo, tem vida útil estimada de pouco mais de 60 anos. Por outro lado, a construção civil é potencialmente grande consumidora de resíduos provenientes de outras indústrias. As possibilidades de redução e utilização de resíduos, gerados nos diferentes processos produtivos, apresentam limitações técnicas. Resíduos sempre existirão, mas podem ser minimizados.
A reciclagem vem se tornando uma oportunidade de transformação de uma fonte importante de despesa em uma fonte de faturamento ou, pelo menos, de redução dos gastos.
Quando a reciclagem é encarada como uma forma de redução de custos, e até mesmo novas oportunidades de negócios, há também a redução do volume na extração de matérias-primas, preservando os recursos naturais limitados.
A incorporação de resíduos na produção de materiais também pode reduzir o consumo de energia. No caso das escórias e pozolanas, é este nível de energia que permite a produção de cimento sem a calcinação da matéria-prima, permitindo uma redução de consumo energético de até 80%.
O incentivo à reciclagem deve ser então uma parte importante de qualquer política ambiental. É fundamental que o governo e outros órgãos públicos possam oferecer cada vez mais benefícios aos envolvidos nesta causa, sejam eles fornecedores ou consumidores.
O mercado de reciclagem e reaproveitamento de resíduos no desenvolvimento de novos materiais ainda é novidade, mas está em grande evolução. “Na área da construção civil estamos engatinhando nos processos de reciclagem. Geramos muito entulho e ainda não estamos desenvolvendo técnicas suficientes para seu reaproveitamento”, complementou Gerson Massagardi, Diretor Técnico da Feller Engenharia.
O processo de caracterização física e química do que até então era “entulho”, além de medir os riscos ambientais, viabiliza a criação de novas “matérias-primas”. Há também um processo de adequação deste novo material em possíveis aplicações na construção civil, fase de testes de qualidade e estudos que tornem viáveis financeiramente a utilização de “recursos limpos”, já que em muitos casos o custo para utilização deste tipo de material ainda é altíssimo.
O conceito de desenvolvimento sustentável está criando profundas raízes na sociedade e, certamente, deverá atingir as atividades do macro-complexo da construção civil, da extração de matérias- primas, produção de materiais de construção, chegando ao canteiro e as etapas de operação/manutenção e demolição.

Fonte: Central Estratégica

Mulheres que bordam a vida: Livro conta histórias de mães que se apoiam no bordado para enfrentar problemas cardíacos dos filhos.

Divulgação
A capa do livro Bordar a vida
Um grupo de mulheres que usa o artesanato – especificamente o bordado – como força para ajudar a proteger suas crianças e adolescentes com problemas cardíacos. Assim é o programa Maria, Maria, idealizado pela ACTC (Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração). Com o objetivo de mostrar os resultados e revelar um pouco da trajetória de cada uma dessas mães, a instituição lança o livro Bordar a vida – Histórias dos trabalhos das mulheres da ACTC, nesta quarta-feira, dia 21 de março. Escrita por Ana Augusta Rocha e Cristina Macedo, com fotos de Douglas Garcia e Romulo Fialdini, a obra leva ao público a arte tecida pelas mãos destas bordadeiras. No evento, que acontece em São Paulo, alguns dos trabalhos estarão expostos e poderão ser comprados. As peças ficam à mostra até o próximo dia 28 de março.


“Em muitos casos, foi por meio das linhas e agulhas que se deu a elevação da autoestima, já que, nessa situação, muitas vezes as mulheres se sentem – velada ou explicitamente – culpadas pelo estado de saúde de seus filhos”, diz o texto que divulga o lançamento do livro. De acordo com a ACTC, cerca de 20% das mães da casa estão envolvidas diretamente com os bordados. “É um espaço de aprendizagem em que se oportuniza o exercício coletivo da partilha de aptidões, competências e saberes”, define a educadora Cristina Macedo Tomás, uma das autoras. Em entrevista a Casa e Jardim, ela e a jornalista Ana Augusta Rocha, sua parceira neste trabalho, contam um pouco mais sobre a obra. 
Divulgação
Bordado de Aparecida Lima Gallo da Silva, de Ribeirão do Pinhal, Paraná
Casa e Jardim – Como surgiu a ideia de transformar as histórias das mães da ACTC em um livro?
Cristina Macedo –
 Depois de dez anos, consideramos que, além de mostrar belos trabalhos que retratavam a evolução do grupo (tanto do ponto de vista técnico, como do estético), seria importante divulgar esta experiência em que ensino e aprendizagem se cruzam e se complementam.
Ana Augusta Rocha – A ideia nasceu do próprio grupo ao ver como os bordados tomaram corpo. De um início tímido, quando as mulheres relutavam em aderir ao grupo porque não se julgavam capazes, até o momento em que se viram criadoras de belas obras de arte: o livro conta essa trajetória e traz a voz das participantes em depoimentos.

CJ – Na opinião de vocês, o que é mais emocionante nas histórias?
CM –
 Todas as histórias são tocantes, pois são carregadas de sonhos e esperanças de mulheres que muitas vezes esquecem de si mesmas, mas teimam em continuar. São vivências singulares que, compartilhadas, dão força para que elas sigam na luta. Mulheres que perdem os filhos, mas continuam a bordar; outras que, frente à dor, abandonam o bordado...
AAR – Muitas histórias são emocionantes. Principalmente as relacionadas a uma imersão num conto sobre uma moça que havia bordado um quadro mágico: tudo que ali bordava se concretizava na vida real.

CJ – E como terminava o conto?
AAR –
 Ao bordar um marido, ele teria se transformado em uma pessoa tirânica, que dela tudo exigia. Ela tinha de bordar sem cessar para satisfazer os desejos dele. Até que ela toma a difícil decisão de desfazer o bordado do marido. Foi um conto que mexeu bastante com todas as mulheres. A partir daí, elas elaboraram desenhos sobre suas vidas. Um trabalho belíssimo capitaneado pela Cristina.
Bordado de Everlinda Gumz Klug, de Cariacica, no Espírito Santo

Fonte: Casa e Jardim

Pra você comer sem culpa: Frango com cogumelos

Foto: Jeffreyw
Confira receita da consultora Leila Werutsky

Ingredientes:

280g peito de frango
200g cogumelos
100 ml de vinho branco seco
1 Colher de (sopa) molho de soja
1 cebola média picado
2 colher de sopa azeite de oliva
3 colher de sopa rasa de requeijão light
Alho picado
Pimenta

Modo de preparo:Em uma panela, doure os cubos de frango, previamente temperados com sal, pimenta e molho de soja. Acrescente cebola, alho picado e azeite de oliva. Em seguida, misture os cogumelos Perfume com o vinho branco e finalize com o requeijão. Sugestão: sirva com legumes no vapor.
Rendimento: 04 pessoas


Fonte: GNT

AQUI E NA ARGENTINA: As bienais de São Paulo e Buenos Aires possuem diversos pontos em comum

Reportagem publicada no jornal El Clarín, em 1983, sobre a mostra de arquitetura brasileira em Buenos Aires que poderia ter dado origem a uma bienal intercambiável entre Brasil e Argentina
Reportagem publicada no jornal El Clarín, em 1983, sobre a mostra de arquitetura brasileira em Buenos Aires que poderia ter dado origem a uma bienal intercambiável entre Brasil e Argentina
Arquitetura do possível e bienal de momentos
Apenas três dias separaram o término da Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires (13ª BA11) e o começo da 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (NonaBIA), respectivamente em 30 de outubro e 2 de novembro. A primeira foi criada em 1985, enquanto a brasileira, mais antiga, ocorreu pela primeira vez independente da bienal de arte em 1975. Uma pausa de 20 anos e em 1995 voltamos a realizar, com certa irregularidade de tempo, a mostra em São Paulo. Isso explica que a bienal portenha esteja em sua 13ª edição e a paulistana na nona. Em 1983, cogitou-se realizar conjuntamente os dois eventos, com exposição da arquitetura brasileira em Buenos Aires e mostra argentina na capital paulista. Seria uma bienal lá e outra cá, mas falhou a primeira volta brasileira e os eventos seguiram, cada um a seu modo, o curso da história.
Em 2011 o arquiteto Carlos Sallaberry assumiu o posto de diretor da Bienal de Buenos Aires, que por 12 edições esteve sob o comando de um de seus criadores, Jorge Glusberg. Afastado do cargo por questões de saúde, Glusberg passou a faixa para um colaborador antigo da bienal, tendo Sallaberry se juntado ao comitê organizador do evento já em 1989.
A esplanada de entrada da bienal de São Paulo foi ocupada, depois da inauguração, por uma mostra dos cartazes das nove edições do evento. No lugar estavam previstas exposições temporárias que não chegaram a se realizar
A mostra dos projetos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e do programa Renova SP, ambos da prefeitura paulistana, era das mais caprichadas
A mostra dos projetos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e do programa Renova SP, ambos da prefeitura paulistana, era das mais caprichadas
Ocorre que, na Argentina, a realização da bienal de arquitetura é, desde a primeira edição, tarefa de uma instituição independente, o Centro de Arte e Comunicação (Cayc, na sigla em espanhol), no qual há uma seção que organiza o evento.
Lá, o instituto e o conselho profissional dos arquitetos do país são colaboradores pontuais da mostra, uma realidade diversa da existente no Brasil, onde o Instituto de Arquitetos do Brasil é o responsável pela organização da BIA. A cada gestão do IAB paulista, monta-se uma nova estrutura e elegem-se gestores para a concepção e realização da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.
A 8ª e a 9ª BIAs estiveram, assim, sob o mesmo estigma. No final de setembro de 2009, faltando cerca de um mês para o início da mostra, intitulada Ecos Urbanos, o curador Bruno Padovano foi substituído pela dupla Liane Almeida e Demétrio Anastassakis, seguindo-se um evento castigado por severas críticas. As animosidades atingiram, por fim, a antiga parceria entre o IAB/SP e a Fundação Bienal de São Paulo, que anunciou a indisponibilidade de agenda para sediar a edição de 2011.
Foi desse modo que, em março passado, divulgou-se que a nova casa da exposição seria a Oca, que, assim como o Pavilhão da Bienal, fica no parque Ibirapuera. Mas a continuidade também traz perigo, alerta Sallaberry: pensar que somos eternos. Questionado sobre as armadilhas e virtudes de a bienal argentina estar, desde o início, sob um mesmo comando, ele cita a ausência de tema como o diferencial do evento.
“Nunca tivemos o âmbito de uma discussão temática”, resume o arquiteto, esboçando a ideia de a mostra ser conduzida por uma mansa mão curatorial, incumbida acima de tudo de um propósito invisível, o de preparar o terreno para que os arquitetos apresentem, espontaneamente e sem filtros, os seus mais recentes trabalhos.
Na entrelinha de tal afirmação reside o vínculo estável que há entre a exposição geral da bienal de Buenos Aires e a sua prestigiada rodada de conferências. Defendidos por Sallaberry como a alma do evento, os seminários contam com palestrantes de primeiro time, automaticamente convidados a expor seus trabalhos na capital argentina.
Em 2011, quem esteve em Buenos Aires pôde acompanhar o pensamento e ver trabalhos recentes, entre outros, do espanhol Josep María Botey, do peruano Manuel Cuadra, do japonês Sou Fujimoto e do espanhol Guillermo Vázques Consuegra, que conquistou o prêmio máximo da BA11, dedicado ao conjunto da obra.
A exposição geral de arquitetos da NonaBIA foi desvalorizada. A setorização a espremeu perto da calota do prédio da Oca, num ambiente escuro e sem climatização
A exposição geral de arquitetos da NonaBIA foi desvalorizada. A setorização a espremeu perto da calota do prédio da Oca, num ambiente escuro e sem climatização
Exposição do programa New Practives, do Instituto de Arquitetos Americanos (AIA), na rodada nova-iorquina (expositores na cor preta)…
Exposição do programa New Practives, do Instituto de Arquitetos Americanos (AIA), na rodada nova-iorquina (expositores na cor preta)…
… e na correspondente paulista, feita em boa parte com as páginas abertas do folder de apresentação da iniciativa
Do Brasil, foram convidados Sibaud Guillaume (do escritório franco-brasileiro Triptyque) e a crítica Ana Luiza Nobre, que apresentou um painel sobre a arquitetura contemporânea do Rio de Janeiro. Todos reunidos, e em interação, num evento contínuo.

Para Sallaberry, são os seminários que impulsionam também a engrenagem da mostra geral de arquitetos. Nesse sentido, de vislumbre da curadoria por meio das conferências, o arquiteto diz ter aprendido com Glusberg que é sempre melhor errar para mais. Convidar mais palestrantes do que cabe na programação, sob o risco de ter que lidar com ausências repentinas, por exemplo.
Quem seria como eu?
Das diferenças históricas entre as bienais de arquitetura de Buenos Aires e de São Paulo, portanto, são evidentes as relativas aos mecanismos operacionais e à existência ou não de temas estruturantes.
Já neste ano se evidenciou ainda a distinção entre a arquitetura do possível de Sallaberry e a bienal de momentos de Valter Caldana, curador do evento brasileiro. Trata-se, respectivamente, do eixo condutor das conferências argentinas de 2011 e da ideia de construir fisicamente a mostra paulista ao longo do seu período de exibição.
“Se eu fosse como você, quem seria como eu?”, citando uma frase de Sallaberry, é como se pode cotejar as dessemelhanças de concepção e gestão das vizinhas bienais de arquitetura.
A marca da direção inaugural de Sallaberry na Argentina foi ter pautado a escolha dos seus estimados conferencistas em função do vínculo que há entre a arquitetura atual e o acirramento de restrições de toda ordem, ambientais, econômicas etc.
Na outra ponta, sob o tema Construindo Cidadania: Arquitetura para Todos, a bienal de Caldana foi oposta ao perfil histórico da argentina, destacando-se, aqui, o próprio domínio de um tema.
Parte da exposição da bienal argentina, que esteve em cartaz em outubro no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires
A ideia foi “discutir a arquitetura como disciplina e não como momentos ou práticas específicas, e trabalhar com arquitetos mais do que apresentar os seus projetos”, justificou Caldana o tom quase impessoal, genérico, de divulgação do evento já na iminência da sua inauguração. Ou seja, não por meio de nomes ou datas precisas, mas por assuntos e intervalos de tempo.

Operacionalmente, a opção pelo boletim relâmpago - a divulgação das palestras na antevéspera da sua realização - visou evitar tumulto, explica o curador, utilizando como exemplo as inúmeras ligações recebidas pelo IAB para esclarecer se o próprio Bjarke Engels, em pessoa, viria ao prédio da Oca para falar sobre o seu escritório, o BIG, da Dinamarca. Não, era um dos seus sócios.

Já conceitualmente, o que se buscou foi uma exposição “menos acadêmica e mais introspectada no universo profissional”, diz Caldana, ao se referir à tarefa de articular diversos segmentos que fazem, consomem e regulam a arquitetura. “Quando aceitei o convite do IAB, foi para promover diálogos”, ele enfatiza, defendendo a ideia de construir parte da exposição, com o material gráfico produzido com os arquitetos e o público em geral.

Tanta dispersão no tempo e no espaço - algumas mostras ocorreram em endereços distantes do prédio da Oca - acabou por criar uma bienal vazia e com aparência de inacabada. A setorização foi infeliz. Aquela que deveria ser a exposição mais importante do evento - a geral dos arquitetos - espremeu-se no terceiro andar da Oca, quase tocando a calota do edifício, em meio a um ambiente pouco iluminado e sem climatização. E, apesar de toda a boa vontade dos voluntários que trabalharam com o IAB na concepção dos painéis expositivos, a expografia deixou a desejar com seus cavaletes primários de MDF.

Em contrapartida, um quase descampado recebia os visitantes no andar térreo, sendo a esplanada de entrada ocupada por uma lojinha, por uma exposição de fotos de atendimento médico e pela espaçada mostra central dos cartazes das nove edições da bienal paulista. Estava prevista para este generoso espaço, no folder do evento, a realização de mostras temporárias, que não chegaram a ocorrer, pelo menos até a metade do evento.

Inexplicável, assim, o acanhado destino que teve a exposição dos jovens arquitetos de Nova York, ocupando um apertado canto do andar superior, assim como o deslocamento da exposição alemã para o Centro Cultural São Paulo. Por que, afinal, dispersar um evento se sobra tanto espaço em seu núcleo?

Mas do que se trata?

“Os europeus consideram a Bienal de Arquitetura de São Paulo a principal da América Latina, mas vocês precisam valorizá- la. A mostra deste ano não dá ideia do que acontece atualmente na arquitetura brasileira.” O relato de Monica Lebrao-Sendra, responsável no Institut Français pela divulgação internacional da arquitetura francesa, endossa o comentário geral dos que visitaram a NonaBIA, balbuciado pelos corredores da Oca.

Os franceses valorizaram o seu programa particular. Reprisando a mostra Metropolis?, que produziram no ano passado para a Bienal de Arquitetura de Veneza, sob a curadoria de Dominique Perrault (leia entrevista nesta edição), bancaram a vinda de uma delegação numerosa para conhecer São Paulo e debater o conceito de revitalização de territórios através da arquitetura urbana.

A Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), localizada na zona oeste da cidade, ofereceu a estrutura necessária - sistema de tradução, filmagem e lanches - para sediar as conversas do seminário Rendez-vous Metropolis, que se estendeu em uma visita de campo para se pensar a ocupação de uma área de intervenção do Renova SP, concurso de moradia popular promovido pela Secretaria de Habitação paulistana. No sábado, 5 de novembro, os franceses percorreram os estreitos caminhos da favela do Jaguaré, a que se seguiu um dos workshops da bienal.

Já os americanos pareciam pouco à vontade em sua visita ao evento. Era a sua vez na contrapartida do programa New Practices, de Nova York, que no primeiro semestre de 2011 levou aos Estados Unidos sete equipes brasileiras de arquitetura para receberem os louros da vitória do concurso de processo de projeto promovido anualmente pelo Instituto de Arquitetos Americanos (AIA).

Acontece que aos escritórios nova-iorquinos, anunciados desde maio de 2011 como participantes ilustres da bienal de São Paulo, sobrou a acanhada exposição na Oca, feita em boa parte com as páginas abertas do folder de apresentação da iniciativa.

Por sorte, o público resolveu comparecer minimamente ao debate sobre o projeto ocorrido em 4 de novembro, mesmo que anunciado na véspera e com a participação de apenas parte das equipes americanas. Na primeira etapa do projeto, contudo, os sete escritórios paulistas compareceram à mostra e ao debate, que foram realizados em Nova York.
No sábado, 5 de novembro, a delegação francesa que particiou do seminário Rendes-vouz, Metropolis foi conhecer a favela do Jaguaré, área de intervenção do concurso Renova SP
No sábado, 5 de novembro, a delegação francesa que particiou do seminário Rendes-vouz, Metropolis foi conhecer a favela do Jaguaré, área de intervenção do concurso Renova SP
A difícil missão de julgar

Espinhosa a tarefa do júri, portanto, que esteve encarregado de conceder os prêmios da bienal de São Paulo, fragmentada e com uma exposição geral sem organização aparente - exceto, talvez, a de dispor as pranchas conforme a disponibilidade de maquetes, alternadamente nos corredores de exibição. Uma bienal desprovida de distinções primárias, como as entre obra construída e projeto, trabalho nacional ou estrangeiro.

Das estatísticas possíveis de se esboçar em meio à sequência de trabalhos da mostra geral, 15% eram relacionados a transportes (estação de metrô, aeroporto, terminal marítimo, teleférico); 11,5% a moradias, a maior parte multifamiliar; 4% ao programa esportivo; 14% ao ensino; 21% à área cultural (dos seis espaços expositivos exibidos, três eram galerias de Inhotim); 4% à saúde; 17% a urbanismo ou desenho urbano, levando-se em conta os experimentais protótipos para arranjos de bairros ou assentamentos em situações emergenciais; 4% comerciais e, por fim, 9,5% de projetos corporativos. Havendo quase o equilíbrio entre a participação brasileira e a estrangeira, respectivamente 58% e 42% dos trabalhos, e a predominância de projetos não construídos (60%).

De evidente mesmo, a única ordem era a da disposição da mostra digital no centro da sala, uma seção defendida pela curadoria como espaço para a experimentação de novas formas de visualizar a arquitetura. Feitas as contas, devem ter se exibido perto de 200 projetos digitalmente, que é a quantidade faltante dos que ocuparam os suportes físicos para os duzentos e tantos inscritos na exposição geral da NonaBIA.

Ao menos dois problemas decorrem da ênfase nesse tipo de suporte: a apresentação dos trabalhos não foi planejada para esse fim (qual o sentido de ver arquivos estáticos de PDF num monitor de vídeo?). E estariam tais projetos também pautados para as premiações da bienal?

Se a resposta é sim, então eles saíram em dupla desvantagem: frequentemente boa parte dos monitores parava ou apresentava problemas de interface, e a visualização fragmentada - página por página, como uma convencional sequência de pranchas físicas - comprometia a compreensão global e a memorização do trabalho. E o mesmo vale para o concurso internacional dos estudantes de arquitetura, cuja visualização dos projetos estava restrita aos monitores laterais do segundo anda.

Terá sido, uma escolha curatorial ou mais uma questão operacional, tendo a organização do evento arcado com o custo das impressões das pranchas?

Seja como for, transcorrida metade do tempo de vida da bienal, não se tinha ideia de quando seriam anunciados os premiados, nem se haveria um catálogo. Do que vamos nos lembrar desta edição, então?

Ao menos se compilassem as dinâmicas dos workshops a fim de se compartilhar impressões como a do estudante Antonio Brandão de Souza Neto, da Faap, que fez trio com o colega de escola Murilo Mattiello Gabrielle e com o estudante Tristan Bonzon, da Escola da Cidade, eleitos na seletiva de última hora armada pelas faculdades quando se decidiu pela realização do seminário Rendes-vouz na Faap. Eles documentaram as visitas e a roda de discussão sobre a área de intervenção no Jaguaré.

Relata Antonio Brandão: “Deve ter sido muito impactante a visita para os franceses, eles nunca tinham entrado numa favela e não entendiam que as pessoas gostam de morar lá. Falaram muito sobre as possibilidades dos vazios nas suas palestras do dia anterior na Faap mas, no outro dia, perceberam que esta não é a prioridade em bairros como Jaguaré. No retorno ao Ibirapuera, sua ideia era fazer um parque linear, que ficou logo em segundo plano porque o que mais se discutiu no workshop foi habitação para os moradores”.

Momentos, enfim, de difícil sedimentação, que nos fazem refletir sobre a utilidade uma bienal de arquitetura mirabolante.

Fonte: Arco Web